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terça-feira, 19 de abril de 2011

"Ajustes salariais seriam bem vindos!"

É comum ouvir os professores que dão aula em escolas do estado reclamarem dos seus salários, da falta de estrutura das escolas e outros problemas frequentes.  


Referente ao salário dos educadores, Darci de F. Marcello, professora de português e inglês, acha que os professores não são bem remunerados porque o próprio sistema não os valoriza, a categoria é muito desunida e tem um sindicato sem voz ativa. Já Marcelo Rodrigo G. de Oliveira, 29 anos formado em Licenciatura Plena em Geografia, pensa diferente: “Acredito que pela realidade vivenciada em meu país, ganho relativamente bem. Por outro lado, acredito que pela responsabilidade que temos ao educar crianças e adolescentes seria possível um reconhecimento profissional melhor, desta forma, ajustes salariais e melhor estrutura de trabalho seriam bem vindos.”

Na opinião dos professores, a estrutura escolar em escolas públicas deixa muito a desejar, pois além de não terem objetos de trabalho que são fundamentais em algumas aulas, as salas de aula são abarrotadas de alunos, sendo que a maioria deles não demonstra interesse em aprender qualquer matéria.




A violência em entre alunos e professores nas escolas públicas é um tema muito abordado ultimamente. A professora Darci foi bem clara expondo a sua opinião: “Creio que a agressividade e a irresponsabilidade da juventude atual sejam resultado da nova estrutura de família e esse episódio não ocorre só na escola pública”. O professor Marcelo considera que hoje em dia é arriscado dar aula em escolas estaduais: “Acompanhando os acontecimentos em diversas cidades brasileiras, bem como os diversos problemas ocorridos em nossa cidade, existe um temor que envolve todo o corpo docente da rede estadual de ensino com a segurança de todos os profissionais da rede pública. Portanto, atualmente posso dizer que nós, professores, trabalhamos com receio quanto a nossa segurança na escola e fora dela.”

Um levantamento feito pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), com dados de setembro de 2009, mostra que há professores que, mesmo com diploma de ensino superior, ganham pouco mais de um salário mínimo.

No Ceará, Estado com uma das remunerações mais baixas do país, docentes em início de carreira ganham, em média, R$ 627,08 por mês. Incluindo todas as gratificações, os salários dos cearenses não ultrapassam R$ 739,29 quando começam a dar aulas. O valor é quatro vezes menor do que recebem os professores iniciantes no Distrito Federal.

No Amazonas, os docentes recebem pouco mais que isso: R$ 841,32. De acordo com a pesquisa realizada pela CNTE, em Roraima, os iniciantes ganham apenas R$ 10,19 a mais que no Estado vizinho. Em todos esses casos, os profissionais que lecionam nas escolas amazonenses não recebem o piso salarial definido em lei para a categoria.
 Os salários pagos aos professores são inferiores às remunerações de outros profissionais cujo papel é essencial para a sociedade. Médicos, advogados, engenheiros, contadores, policiais e caixas de banco ganham mais. Isso faz com que jovens universitários escolham outras carreiras, que possam lhes proporcionar maior rendimento e reconhecimento no mercado de trabalho. Dessa forma, surge um problema ainda maior ao Estado: a falta de profissionais, que é muito mais difícil de ser sanado do que a adaptação das condições trabalhistas e da remuneração.

terça-feira, 29 de março de 2011

Ele ganhou!

O Murilo Denardi, do 3º semestre de Jornalismo, foi o autor do melhor comentário entre os dias 16 e 24 de março e ganhou do SinergiaK um x-salada e um suco de laranja!

Confira o que ele escreveu sobre o texto Tirania no Futebol, do Ricardo dos Santos:

"Que belo texto redigido pelo nosso amigo Ricardo, e ele está completamente certo em suas afirmações. A CBF é comandada por um bando de "políticos", e por serem o tal, é de natureza que sejam todos corruptos, principalmente o sr. presidente que atende pelo mesmo nome do dono do texto, o sr. Ricardo Teixeira. Ele é quem dita as "leis" do nosso futebol,é ele o homem do sim e do não, não pensa nos torcedores, clubes, jogadores, mídia etc, resumindo, ele pensa em si próprio e em seu cargo, e que muito menos ainda pensa em deixá-lo tão cedo. A Copa do Mundo de 2014 está aí e até agora, o que nós podemos ver são ruinas de estádios demolidos, lentidão nas obras e em toda infra-estrutura do país... tenho vergonha que o grande evento do futebol seja em nosso país... mais quem sabe, ainda há tempo da FIFA mudar de idéia caso a CBF não atenda os requisitos propostos em um determinado prazo. Gente, não tenham esperança que um dia isso podda mudar, pois não temos (a maioria) a coragem de lutar pelos direitos do nosso país em Brasília, o que dirá os direitos do Futebol. O sr. Teixeira é um ditador pior que Kadafi e não sairá do poder nem por decreto da maior entidade não a ONU e sim a FIFA..."

Parabéns, Murilo e obrigado pela participação! Em breve, mais promoções! Fiquem atentos e participem! ;D

terça-feira, 22 de março de 2011

Sinergia no Cabreúva Em Foco

O SinergiaK foi citado no blog de um dos nossos leitores, Renato Violardi. Confira abaixo o publicado. Desde já, agradecemos os elogios e o incentivo a continuarmos firmes no nosso projeto. Confira o blog Cabreúva Em Foco clicando aqui.



"Sinergia é definida como o trabalho ou esforço coordenado de vários subsistemas na realização de uma tarefa complexa ou função. Ou seja, é o ato simultâneo de diversos organismos para o mesmo fim. Agem com sinergia, amigos que resolvem montar um negócio ou um projeto em conjunto, onde a confiança é motivada pela mútua iniciativa e a comprovação de competências para realização de atividades de interesse comum. A colaboração acontece com a ética no exercício destas competências para a obtenção de resultados mutuamente vantajosos."

Esses são os conceitos teóricos de sinergia, que de uma maneira prática e competente, tem se tornado real e muito próximo de nós.
 
A quantidade surpreendente de blogs e sites que tratam (ou maltratam) a política e os políticos, faz com que as pessoas sejam seletivas na procura de notícias e opiniões confiáveis.
 
Também sou seletivo nessas questões, para formar as minhas próprias opiniões.
 
O que tem me surpreendido, é um projeto da Agência Experimental de Comunicação e Artes (AECA) da Faculdade de Comunicação e Artes (FCA) do CEUNSP, produzido por alunos do curso de Jornalismo, cuja editora é a competente e talentosa cabreuvana, Jaqueline Defendi Rosa.
 
Trata-se do blog SinergiaK (http://www.sinergiak.blogspot.com/), que procura mostrar a política numa linguagem acessível a todos e, principalmente ao meio acadêmico e que vale ser visitado.
 
Esse experimento tem sido bem sucedido, pois colocou sob a responsabilidade de jovens universitários, a seleção, editoração e publicação de textos políticos, em nível nacional, na internet, com o objetivo de despertar o interesse do internauta pela política, tornando-a mais acessível e formando as bases de um pensamento crítico, justamente àqueles que demonstam não ter qualquer interesse pelo assunto.
 
O grande trunfo deste projeto universitário, é que ele está sob responsabilidade de jovens engajados e conhecedores da linguagem que domina o mundo cibernético. A grande surpresa, é a de que os jovens se interessam, e muito, por política. O mistério, até agora, foi a forma de levar aos universitários, o conhecimento político, sem uma roupagem ideológica. Como disse Arnold Toynbee, historiador inglês: “O maior castigo para quem não gosta de política é ser governado pelos que gostam”. Essa frase, é a legenda do SinergiaK.
 
Ao que parece, mistério, finalmente desvendado.

segunda-feira, 21 de março de 2011

O grito dos bons

"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos
corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética.
O que mais preocupa é o silêncio dos bons.
(Martin Luther King)
 

Não é de hoje que ouvimos dizer que quem cala consente. Quem não reclama de algo errado é porque não está assim tão incomodado. Quando a pedra no sapato nos machuca é impossível não gritar aos quatro ventos, sentar, arrancar o sapato, arrancar a pedra e reclamar o dia todo pela dor. Toma-se uma atitude. 

"Brasil se abstém em votação contra Kadaffi.
Odeio os neutros. Detesto quem se abstém.
A única vez em que me abstive não consegui dormir."
@CidinhaCampos

Na política, no entanto, parece que há um bloqueio que impede os bons políticos - e a população - de esbravejarem contra a corrupção, a falta de ética, de esforço, de estudo, de resultados. Poucas são as vezes em que alguém, principalmente uma pessoa pública, demonstra tal coragem.
  
O problema do Brasil não é a política, mas os políticos. E se somos nós quem os elegemos, a culpa, o problema e o poder de solução são nossos.

A deputada estadual Cidinha Campos (PDT-RJ) é um exemplo de que não podemos ficar calados perante o que é errado. Os bons não podem se calar! Não podem permitir que o mau se espalhe e domine a nação.

Fica o convite: vamos nos livrar de toda a covardia que ata nossas mãos e veda nossas bocas! Vamos protestar, gritar, agir - pensar. Vamos aprender como fazer uma política limpa, justa e séria - e vamos fazer! Nós, jovens, temos o poder nas mãos! Nós podemos mudar o Brasil! 

quinta-feira, 17 de março de 2011

"Eu nunca aceitei o comum!"



Salto doze, vermelho como os cabelos cuidadosamente penteados. Colar de pérolas até a cintura, anéis, brincos e muita atitude. Poderia se tratar de uma mulher de vinte ou trinta anos, mas Marlene Caleffo tem 67.

Coordenadora da Mulher da cidade de Salto, Marlene conversou com os estudantes da Faculdade de Comunicação e Artes do CEUNSP na noite do dia 1º de março, inaugurando o circuito de palestras Questão Jovem, que tem como objetivo discutir temas que abranjam o universo jovem no século XXI.

Antes mesmo de se começar o bate papo, o público, majoritariamente feminino, foi completamente conquistado com as apresentações musicais. Músicas como ‘Lady Marmalade’, do famoso musical Moulin Rouge, e ‘Man, I Feel Like a Woman’, de Shania Twain, representam, para as jovens mulheres do século XXI, a ousadia, a quebra de regras e tabus, a força e a sensualidade da mulher moderna.

Marlene compartilhou com os presentes não só seu trabalho na Coordenadoria da Mulher, que ela descreveu como ‘uma missão’, mas também suas lutas pessoais como profissional, esposa e mãe. “Eu gosto das coisas difíceis”, disse.

Desde a infância, na cidade de Salto, numa época em que a sociedade era completamente patriarcal, em que os homens não só sustentavam, como também mandavam nas mulheres, ela já vencia obstáculos. Nunca deixou que o fato de ser mulher a impedisse de realizar seus sonhos. Quando criança cursou aulas de acordeom – diferente de tantas mocinhas que aprendiam piano e ponto cruz. Ia sozinha para as aulas de jardineira, uma espécie de ônibus. “Desde os dez anos que eu sempre quis ter a minha independência. Aos dez anos eu disse para os meus pais que queria trabalhar. Disse: ‘eu não acho que tem valor eu dar presente pra você e pra mamãe com o dinheiro que vocês me dão’ e eu e minha mãe fomos estudar em São Paulo e abrimos o primeiro salão de beleza de Salto”.

A ousadia de Marlene, pode-se dizer, é genética. Sua mãe, Dezolina, casou-se com João Baptista, que não só era dezessete anos mais velho: era viúvo. “Já imaginaram o escândalo, o preconceito?”, mas ela explica de outra maneira: “eu nunca aceitei o comum”.

Não faz muito tempo que as mulheres começaram a conquistar seu espaço no mundo moderno. “Antes, a mulher era criada, educada, para casar, cozinhar, lavar, passar, ter filhos e calar a boca!”, conta Caleffo. E prossegue explicando que homens só se casavam quando tinham poder financeiro suficiente para sustentar sua casa, mulher e filhos. Não era aceitável que a mulher precisasse trabalhar para ajudar o marido.

No século XXI, a mulher, super competente, ágil e proativa, tem conseguido atingir cargos de importantes em grandes empresas, que eram, até pouco tempo, ocupados por homens. De acordo com um levantamento realizado pela Catho Online, maior classificados online de currículos e empregos da América Latina, as mulheres já ocupam 58,63% dos cargos de coordenação, ou seja, mais da metade destes profissionais são do sexo feminino. Além disso, 22,91% dos cargos mais elevados das organizações, como presidentes, pertencem as mulheres.

Aquelas mulheres submissas e passivas, escravas obedientes dos maridos se transformaram em guerreiras independentes e fortes, que lutam pelos seus direitos e desejos com garra e coragem e não se deixam desanimar por preconceitos e tabus. A cada dia que passa a mulher se torna mais indispensável à sociedade moderna, que finalmente começa a enxergar o poder feminino de tornar o mundo melhor.

O Analfabeto Político


O Analfabeto Político, de Bertolt Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
 
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
 
Você concorda?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Meias verdades

Não basta saber. Na política, é necessário entender o que está acontecendo. Políticos mal intencionados podem, com algumas palavras, distorcer a realidade em seu benefício e fazer-nos acreditar no que dizem. Algumas vezes, principalmente em época de campanha, isso acontece e cabe a nós estarmos preparados para não sermos enganados.

O texto abaixo foi escrito por Reinaldo Azevedo, colunista da Veja, e mostra como um discurso, se não for acompanhado por uma pesquisa e um imenso interesse, pode confundir o eleitor, fazendo-o acreditar numa meia verdade.

O discurso de Dilma, a tungada os números da educação
Por Reinaldo Azevedo

Ai, ai… Vamos lá. Se não eu e mais uns dois ou três, então quem, né? Não, eu não me incomodo de ser um dos súditos chatos da rainha. “Você é bobo da corte”, diz um petrralha. Tudo bem! O bobo era o único que tinha licença para dizer certas coisas ao rei, né? De vez em quando o soberano se chateava e mandava açoitá-lo. Como Dona Dilma Primeira não pode fazer isso ainda…

A íntegra do pronunciamento dela está aqui aqui. Não foge àquela linguagem grandiloqüente típica dos auto-elogios de governos. De relevante, já notei no post anterior, há o seqüestro de uma proposta do programa de governo do tucano José Serra. Não é a primeira vez.

Durante a campanha, o PT tentou investir na confusão, afirmando que Serra estaria querendo acabar com o ProUni, substituindo-o pelo Protec. Era, obviamente, uma mentira. Mas o PT não tem problema com isso: 31 anos de experiência! Dilma também tungou o tal Plano de Prevenção de Catástrofes. Quando seu adversário tocou no assunto, ela respondeu que o PAC 2 daria conta de tudo. Aí veio a “Tragédia das Pedras”, como diria aquela vidente…

Demonstrando que a loba pode mudar de marketing, mas não de vício, Dilma referiu-se  negativamente à progressão continuada, o que foi entendido como uma referência a São Paulo. É mesmo? Leiam:
“É hora de investir ainda mais na formação e remuneração de professores, de ampliar o número de creches e pré-escolas em todo o país, de criar condições de estudo e permanência na escola para superar a evasão e a repetência e muito especialmente acabar com essa trágica ilusão de ver aluno passar de ano sem aprender quase nada.”

Eu sou contra o método, já escrevi umas 500 vezes. Os motivos são muitos, mas não vou me estender neste texto a respeito. Só que quem introduziu a prática no Brasil foi o mitológico Paulo Freire, petista, quando secretário de Educação da cidade de São Paulo. Os petistas levaram o modelo para Belo Horizonte, Porto Alegre, Guarulhos, entre outras cidades. Aloizio Mercadante tentou transformar a questão numa cavalo de batalha. Não deu.

Mas atenção para o mais interessante. Existe um exame que mede o desempenho dos alunos e estabelece metas: Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico (Ideb). Em que posição está São Paulo? Vejam.

SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL:
Nota de São Paulo - 5,5
Nota do Brasil - 4,6
Meta nacional - 4,2
Colocação de São Paulo - 2º lugar; só perde para Minas, que obteve 5,6

Notas anteriores:
2005 - 4,7
2007 - 5,0

SÉRIES FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
Nota de São Paulo - 4,5
Nota do Brasil - 4,0
Meta nacional - 3,7
Colocação de São Paulo - 1º lugar

Notas anteriores
2005 - 4,2
2007 - 4,3

ENSINO MÉDIO
Nota de São Paulo - 3,9
Nota do Brasil - 3,6
Meta nacional - 3,5
Colocação de São Paulo - 3º lugar - perde para PR (4,2) e SC (4,1) e empata com RS

Notas anteriores
2007 - 3,6
2009 - 3,9

Para encerrarEm 2009, o PT administrava cinco estados - Acre, Piauí, Pará, Bahia e Sergipe. Sabem quantos deles conseguiram atingir a meta estabelecida pelo Ideb? Um só: o Acre.
Em matéria de educação, os petistas podem aprender muito com São Paulo… E olhem que eu sou contra a progressão continuada…

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Google lança Twitter falado para ajudar egípcios

A comunicação, além de ser um ingrediente primordial para o desenvolvimento de uma sociedade, é uma necessidade incontestável do ser humano. Desde a pré história o homem se comunica, seja através de gestos, desenhos, palavras ou letras. Com o desenvolvimento da tecnologia, no entanto, trocar mensagens se tornou cada vez mais fácil e rápido e, hoje, os pombos correio são os twittes e as hashtags."Seres humanos têm a necessidade básica de se comunicar, então se você impedir a comunicação de uma maneira, eles acharão outra", disse o analista político americano Mark Curtis. 

No quarto dia de protesto, 28 de janeiro, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, mandou suspender os serviços de internet no país, numa tentativa de aplacar o crescimento da oposição, que utilizava, basicamente, as redes sociais, como o Twitter e o Facebook, para divulgar seus ideais.

A decisão foi justificada como um meio de evitar de novos protestos, que têm se tornado cada vez mais difíceis de controlar, mas os egípcios viram a suspensão da internet como um motivo a mais para fortalecerem a revolta.

Dada a necessidade de se comunicarem, os manifestantes prosseguiram com os protestos, dessa vez utilizando meios antigos de comunicação, com os quais o presidente não se preocupou, como máquinas de fax, aparelhos de rádio amador, modens discados e, num golpe contra a censura da internet e, em especial, das redes sociais, os manifestantes estão mandando muitas mensagens a partir do "Twitter falado".

O serviço, lançado pelo Google em parceria com o microblog e sua nova aquisição, a SayNow, especializada em plataformas de voz na interet, anunciou no mesmo dia a criação de uma forma de acesso ao Twitter pelo telefone. "Como muitos, temos acompanhado atentamente as notícias do Egito e pensamos no que poderíamos fazer para ajudar as pessoas no local", afirmaram o diretor de produtos da Google Abdel-Karim Mardini e o co-fundador da SayNow.

As mensagens de voz são deixadas por telefone são convertidas instantaneamente em mensagens de texto e disponibilizadas no Twitter com a hashtag #egypt. As mensagens poderão ser ouvidas com ligações para os mesmos números ou no endereço twitter.com/speak2tweet.

O Egito ficou totalmente sem internet por cinco dias, sem resultados pró-Mubarak.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Sarney é reeleito Presidente do Senado

"E o 'consciente' povo brasileiro fala do Mubarak como se não tivesse um Sarney pendurado na sua jugular há umas quatro décadas."
(@mvsmotta)

"Desculpe, mas acordei com vontade de gritar bem alto: #forasarney!"
(@rodrigovesgo)

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), 80 anos, foi reeleito nesta terça-feira (1) e vai comandar a Casa pela quarta vez. Todos os 81 senadores votaram, 70 no Sarney, 8 em Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), dois em branco e um nulo.

Sarney , que será presidente no biênio 2011-2013, como foi em 1995-1997, 2003-2005 e 2009-2011, afirmou que todas as denúncias de irregularidades registradas durante sua gestão anterior “foram corrigidas”. Ele disse ainda que está preparado para lidar com “uma imprensa que sempre é questionadora”. Sarney afirmou, ainda,  estar comprometido com valores éticos. “Vamos seguir na preservação dos valores éticos e morais que nós devemos ter na vida pública”, afirmou.
Assim que deixou o plenário do Senado, Sarney afirmou que a reforma política é a mais importante entre todas as reformas. “Vou iniciar o debate [da reforma política] junto aos líderes dos partidos de modo que se possa encontrar uma solução rápida”, disse ele em entrevista após ser reeleito. “Vamos prosseguir na votação das reformas. A mais importante de todas é a reforma política, que todo o país espera”. Segundo ele, a reforma política “vai melhorar, sem dúvida, o desempenho da classe política no Brasil”.

Sarney disse que reassume com um “gosto de despedida”. “Sem dúvida, é o meu último mandato, não concorrerei mais”, afirmou, em referência à possibilidade de voltar a presidir o Senado após o atual mandato.

Sarney também disse que o Senado iniciará debate em torno da reforma tributária. Entretanto, afirmou que a reforma política tem hoje mais chances de ser aprovada do que a reforma tributária. “Ela [reforma tributária] é mais técnica e não tem a motivação que temos hoje com a reforma política”, afirmou.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Plano

A cronista Lílian Buzzetto, do blog Mulherices, consegue expressar, com muito humor, alguns dos sentimentos dos brasileiros politizados acerca do trabalho dos deputados e senadores, que têm deixado muito a desejar.

O Plano - Lílian Buzzetto

2011 é impar, né? Isso significa que passaremos um ano sem Copa do mundo, sem Olimpíada, sem 29 de fevereiro e – claro, sem eleição. Eu sei que muita gente esquece a existência dos políticos em anos ímpares, mas, infelizmente, eles continuam lá fazendo...

(se eu usar palavrão no parágrafo de abertura a Karina me mata, né?).

Bem, nossos políticos ainda estão lá fazendo aquilo que eles estão habituados a fazer.

Como eu ainda não estou satisfeita com esses moços e moças do Planalto, pensei, pensei e finalmente: eu tenho um plano, cambada – e o plano é bom. É utópico e não vai ser posto em prática porque as pessoas, inadvertidamente, não me escutam, mas é bom.

Pois bem, acho que, com algumas módicas alterações, conseguiríamos resolver muitos problemas do nosso sistema legislativo – então segue o passo-a-passo do pacote-básico [há um plano avançado, mas comecemos pelo simples]:

1. 513 Deputados e 81 Senadores. Pra quê? Não quero acompanhar só o que faz o meu candidato porque estou sujeita as idéias de jerico, digo leis, provenientes de todos os eleitos. É inviável trabalhar, estudar, namorar, manter unhas e cabelos impecáveis e fiscalizar o que quase 600 criaturas estão fazendo. Para 26 Estados mais o Distrito Federal, algo como 81 deputados [3 para cada] e 54 senadores [2 para cada] estaria de bom tamanho. Mantém a tal da representatividade e é possível, com certo esforço, controlar 128 filhos-de-Deus.

2. Mandato de 4 anos para todo mundo. Esta coisa de 8 anos, ora elege um, ora elege dois, sai metade, sai inteiro, vota na raiz quadrada de 1,8 é muito confusa. Tenho a impressão de que alguns se beneficiam dessa zona para me enganar e estão no cargo há mais 12 anos. É só uma impressão, mas é melhor descomplicar.

3. Deputados e Senadores deveriam ser tratados como funcionários – passíveis de demissão, exoneração, “impeachmação” ou algo que o valha. Cometeu crime: fora; faltou demais, fora; faltou seguidamente, abandono de cargo; é reiteradamente estúpido e incompetente: rua... Para facilitar, haveria uma lista de direitos e deveres que eles receberiam em uma pastinha de papelão no 1º dia de serviço, durante um ciclo de apresentações e dinâmicas chamado Integração [que contaria com longa palestras motivacionais idiotas para ver se algum deles proíbe esta prática estapafúrdia – ao meu ver].

4. Para suprir as vagas abertas pelas demissões, eleição poderia funcionar como concurso público com validade de 4 anos. Mínimo de votos = candidato habilitado. Demitiu um, chama o 129 e assim por diante, demitiu dois, chama o 130 e assim por diante.

5. Senadores e Deputados estão habituados a trabalhar de 3ª-feira a tarde a 5ª de manhã. Deixaríamos assim. Às 2ª feiras (das 8 da manhã às 17 horas), eles participariam do Curso de Formação de Legisladores [ninguém é obrigado a nascer sabendo, mas a gente explica] que contaria com aulas de economia, direito, saúde pública, segurança, ética, educação moral e cívica, etiqueta, moda, datilografia... A manhã de 3ª seria livre para estudo. Quinta à tarde, livre para a preparação de seminários que seriam apresentados às sextas [sim, seminários para desenvolver falar em público sem parecer um operador de telemarketing que leu o dicionário]. Como sou boa, o plano permite eliminação de matérias: quem é formado em direito, elimina legislação, quem é saúde, as de saúde.... NINGUÉM ELIMINA ÉTICA. As disciplinas dariam créditos e um diplominha – com carimbo do MEC e tudo.

6. Benefícios: 10 salários mínimos – sim, o dinheirinho deles estará diretamente ligado ao mínimo; se quiserem ganhar mais, bem... entenderam, né? Com cerca de R$ 5.000 (fora os descontos, claro) dá para viver muito bem. Até porque eles teriam direito a várias regalias como: assistência médica e odontológica (SUS), educação para os filhos (escola pública), carro (Uno Mille ou Gol bolinha - branco, básico, com um enorme logotipo da respectiva casa legislativa), moradia em Brasília (num complexo de apartamentos de 2 quartos + 1 suíte e varanda – L-U-X-O!).

7. Por baixo dos panos, nossos legisladores teriam direito de roubar material de escritório (canetas, clipes e cadernos para os cursinhos) como todo pobre mortal. Que fique claro: eles poderiam roubar material de expediente. Computadores, impressoras, telefones, mesas, cadeiras, cobre da fiação: NÃO SERÃO INCLUSOS nesta autorização extra-oficial.

8. Férias = 30 dias/ano. Não pode tirar todo mundo junto, pode reverter parte em dinheiro e todo aquele blábláblá de acordo com a CLT ou semelhante. Importante: feriados poderiam ser emendados. A folguinha cai na terça? Eles poderiam matar a segunda, mas o seminário da sexta-feira NÃO estaria cancelado.

9. O primeiro semestre, para todos, seria um estágio probatório – no qual eles não poderiam criar novos Projetos de Lei, apenas votar o que está engavetado e atrasado. Neste período, eles estariam estudando muito, aprendendo coisas básicas como “A Constituição Federal – como não fazer a porra de uma lei inconstitucional, sua besta” (podemos reformular o nome deste curso para impressionar no certificado). Reprovou nas aulas: mais seis meses. Não passou na segunda chance? Jubila e demite – sem diplominha. Lembrando que durante esta fase, eles estarão sujeitos a tudo que o estagiário padrão está: sem benefícios, com direito a fazer o próprio café e mexer na máquina de xérox.

A base do plano é essa aí.

Sabemos (eu, pelo menos, sei), por experiência empírica, que nada do que propus mata ou traumatiza de forma irreversível – logo, não teríamos problemas com o povo dos Direitos Humanos. E se vocês decidirem levar algo do plano adiante e precisarem de um projeto com ementa, objetivo e métodos, para aplicar esta joça em caráter de urgência, preparo em 3 dias.

PS: Estou aberta a sugestões para melhoria do plano. Idéias?

O SinergiaK também quer saber sua opinião. Acha o plano de Lílian infalível? Conte pra gente!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Brasil otimista

Pesquisas apontam que os brasileiros, além de satisfeitos com o presidente Lula, estão otimistas com a eleita Dilma Rouseff, que será a primeira mulher a comandar o país e cuja posse acontecerá na próxima sexta-feira, 1º de janeiro de 2011.

O levantamento, realizado pela CNT/Sensus, aponta que 87% dos entrevistados aprovam o desempenho pessoal de Lula, um recorde. Em setembro, esse índice era de 80,7%. O Instituto Sensus ouviu 2 mil pessoas, em 136 municípios, entre os dias 23 e 27 de dezembro.

O governo Lula, por sua vez, foi avaliado positivamente por 83,4% dos entrevistados. Esse índice também é recorde, já que na última pesquisa encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e divulgada em setembro, o governo tinha a aprovação de 79,4%.

A satisfação dos entrevistados também se reflete na avaliação do desenvolvimento econômico do País. Para 63,9% dos entrevistados, a economia se desenvolveu muito nos últimos oito anos, enquanto 30,4% acham que se desenvolveu pouco.

Do ponto de vista social, 57,8% acham que o Brasil se desenvolveu muito nos últimos oito anos, enquanto 35,6% acham que desenvolveu um pouco. A área social foi uma das principais vitrines do governo Lula, em virtude dos elevados investimentos no programa Bolsa Família, que beneficiou mais de 12 milhões de famílias.
A missão de Dilma não será simples. Ser a sucessora de alguém tão popular traz a cobrança popular para que ela esteja, no mínimo, à altura de Lula. Não será fácil lidar com as comparações. A presidente eleita, no entanto, conta com o otimismo do povo. Segundo pesquisas, também do CNT/Sensus, 69,2% dos entrevistados creem que ela fará um bom governo e 17,6% que terá um desempenho regular.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Entenda a CPMF


A Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira, a famosa CPMF, foi (e talvez volte a ser) um imposto cobrado pelo governo brasileiro. A CPMF substituiu o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), criado em 1993e extinto no fim de 1994. O IPMF tinha uma alíquota de 0,25% que incidia sobre os débitos lançados sobre as contas mantidas pelas instituições financeiras.

A CPMF vigorou de janeiro de 1997 à janeiro de 1999, quando foi substituída pela IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros) até que foi restabelecida em junho de 1999. A proposta de prorrogação da contribuição foi rejeitada pelo Senado em dezembro de 2007.

O artigo 18, da Lei nº 9.311 de outubro de 1996, estipulava que a totalidade da arrecadação da CPMF seria destinada exclusivamente ao Fundo Nacional de Saúde, diferentemente do IPMF. A partir de 1999, com a Emenda Constitucional 21, a CPMF passou a destinar parte de seus recursos à previdência social e à erradicação da pobreza. No seu fim, a previdência social e a erradicação da pobreza recebiam aproximadamente 26% e 21% da arrecadação, respectivamente.

Tributos como a CPMF e o IPMF são conhecidos como Impostos de Transações Financeiras (ITF) e existem, basicamente, sobre transações nos mercados de câmbio e em mercados de títulos. Os ITFs foram implementados em vários países, além do Brasil, desde 1936, entre eles Argentina, EUA, Reino Unido, Suécia, Colômbia, Peru e Venezuela, em sua maioria em caráter temporário, com alíquota entre 0,10% e 0,25% do valor da transação.

O principal objetivo dos ITFs era estabilizar os mercados turbulentos. Esse efeito foi demonstrado pela experiência internacional com uma variedade de sucessos. No Brasil, a CPMF também era apontada, pelo governo Lula, como uma ferramenta importante contra a sonegação de impostos. A ideia é de que a Receita Federal pode cruzar informações dos pagamentos de impostos da CPMF, realizados por bancos, com valores declarados por empresas e indivíduos. Por outro lado, críticos alegam que ITFs tendem a diminuir a quantidade de dinheiro líquido em um mercado financeiro, podendo curvar o crescimento econômico natural de um país. No Brasil, a CPMF era muito criticada pelo efeito cumulativo em cima do preço final de produtos manufaturados de alta complexidade, pois estes precisam de várias movimentações financeiras intermediárias até chegar ao produto final e o imposto era cobrado em cada etapa.

Além das criticas baseadas em teoria econômica, muitos críticos, em geral partidários de uma ideologia mais à direita, questionam a real destinação dos recursos arrecadados pela CPMF, tendo em vista a situação precária em que se encontram alguns hospitais públicos e o atendimento a pacientes, bem como a transferência dos recursos da CPMF ao financiamento de programas sociais, como o Bolsa Família. Já partidários do governo e adeptos de uma ideologia social-democrata costumam argumentar que investir no combate à desnutrição infantil e em saneamento básico, através de programas sociais, é uma forma de diminuir os problemas na área da saúde a longo prazo. Essa argumentação foi bastante defendida pelo presidente Lula durante a campanha presidencial de 2006, sem citar especificamente a CPMF.



O governo de Dilma Rouseff ainda não começou oficialmente, mas já causa desagrado aos brasileiros. Em entrevista à rádio CBN, em maio deste ano, a presidente afirmou ser contra a extinção do imposto e que os recursos que deixaram de ser arrecadados com o fim do tributo precisarão ser recompostos, mas disse ter dúvidas se é ou não necessário criar um novo tributo.

Em sua primeira coletiva como presidente, inclusive, admitiu discutir a possibilidade da volta da CPMF com os governadores eleitos. “Eu não pretendo enviar ao congresso recomposição da CPMF, mas manterei dialogo com os governadores, e há esse processo (de pressão em favor do imposto)”, disse.

Lula, por sua vez, defendeu veementemente a aprovação de um projeto de lei que restituísse a contribuição, alegando que é dessa alíquota que sai o dinheiro para investimentos na saúde. “Se souber de onde tirar dinheiro para saúde, que me diga. Tem que ter mais recursos”, disse, ao desqualificar a crítica aos opositores ao imposto (jornalistas e deputados), "porque possuem planos de saúde" e, portanto, não precisariam do atendimento público.

Dos 27 governadores eleitos, 19 foram entrevistados pelo jornal O Estado de São Paulo: 13 se mostraram favoráveis ao retorno da CPMF e seis, de oposição - dois do DEM e quatro do PSDB -, disseram ser contra a medida. Antonio Anastasia, do PSDB, eleito em MG, no entanto, apóia a iniciativa. “A saúde é uma chamada política pública de demanda infinita”, disse.

Para a senadora Marina Silva, a retomada da CPMF seria uma medida do governo para evitar a reforma tributária e que o novo tributo abre brecha para "uma artimanha fiscal". "Esse é o significado da proposta de recriação da CPMF, defendida por vários dos novos governadores e que recebeu da presidente eleita a indicação de que não oferecerá muita resistência a essa vontade", observa.

Ela argumenta que a arrecadação federal cresceu mesmo com o fim da CPMF e que não haveria razão para a volta do tributo. "A solução para a melhoria da qualidade da saúde, portanto, não se resume em arrecadar mais, mas na determinação política de destinar os recursos existentes nos orçamentos federal e estaduais para implementar um serviço que atenda às necessidades da população", conclui a senadora.

E agora, com Dilma?

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Um desabafo, uma revolta


Permitam-me um desabafo:

Desde que demos início ao SinergiaK, blog com objetivo único de tornar a política mais palatável aos jovens, tudo o que discutimos é isso: política.

E tenho ouvido, com grande freqüência, amigos e conhecidos reclamando veementemente da situação política brasileira atual, da falta de caráter e ética dos eleitos, da inconsciência dos eleitores, da falta de respeito com os cidadãos, do desinteresse, da ausência, do desleixo, do dinheiro roubado, desperdiçado, jogado fora.


E, no entanto, apesar de ser um bom começo - já que toda mudança se inicia com um descontentamento - sou terminantemente obrigada a fazer uma das minhas perguntas favoritas: O QUE VOCÊ VAI FAZER EM RELAÇÃO A ISSO?

Sim, porque reclamar é fácil.

O que eu faço em relação a isso? Sim, é uma pergunta pertinente. Estou, como vocês, como cega em tiroteio ou cachorro em dia de mudança, sem saber pra que lado correr. Nós, brasileiros, sabemos o que está errado - mas não sabemos o que fazer com o problema, não sabemos que atitudes tomar. Temos a mania pessimista de achar que nada que possamos fazer representará diferença ou resultado considerável.

Mas como o Brasil vai estar daqui dez anos, quando nós, universitários, estivermos formados, no mercado de trabalho, com filhos, talvez, pagando nossos próprios impostos e planos de saúde?

O QUE VAMOS FAZER EM RELAÇÃO A ISSO?

Demos o primeiro passo com o recém-nascido SinergiaK, é um fato. Obrigatoriamente, agora, leio noticias sobre política e acompanhei sem dor as campanhas presidenciais. Votei, pela primeira vez. E nunca fui parar no hospital por participar de sessões da Câmara dos Vereadores - por mais que minha gastrite atacasse.

O fato é que carecemos urgentemente de uma revolução: cartazes, fotos, vídeos, barulho: persuasão. Qualquer coisa que recrute seguidores dessa causa. Mudar o mundo, talvez. Primeiro, quem sabe, mudar o nosso mundo.

O problema é minha cabeça sozinha não pensa melhor do que todas as de vocês, pessimistas que acham que tudo está perdido, juntos.

Quero que o Sinergia ganhe força. Que, como o Thales escreveu, outras sinergias surjam e cresçam e se integrem e misturem - e façam com que todos entrem nessa onda.

Mas há um problema: o pessoal não se dá conta, por exemplo, que é a POLÍTICA que estipula que o imposto sobre os seus cigarros tenha subido em outubro de 2010. É a POLÍTICA que faz com que se que se pague tanto imposto sobre o preço da gasolina, tanto que sem ele o litro custe cerca de R$ 1,25.

É a POLÍTICA que determina quantas horas você vai ficar na fila de espera do SUS, e a qualidade da consulta, se não puder pagar um plano de saúde exorbitantemente caro. É a POLÍTICA que diz quantas horas você vai trabalhar na semana e quanto dias você vai ter de folga - e quanto você pode ganhar por isso.

É a POLÍTICA quem manda prender ou absolver quem te rouba, agride, estupra ou mata. É a POLÍTICA que decide quanto você vai pagar na cerveja, no Verdinho ou no Baiano. É a POLÍTICA que impõe à nós, brasileiros, a liberdade ou a censura, o direito ou o dever.

Por isso, não podemos deixar que a POLÍTICA aconteça sem nós.

“Mas os políticos são uns corruptos que não estão nem aí pra nada, só querem roubar nosso dinheiro e não fazem nada pelo povo”, vocês vão me dizer.

E eu respondo:

Em 1984, os brasileiros, revoltados como nós, se manifestaram pelas eleições diretas - e mudaram a história do país.

Em 1992, os brasileiros, revoltados como nós, provocaram o Impeachment do então presidente Fernando Collor - e mudaram a história do país.

E em 2010, nós, brasileiros revoltados, faremos o que?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

E agora, Dilma?



O resultado foi anunciado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 20h13: Dilma Rouseff (PT) é a nova presidente do Brasil. Com 56% dos votos válidos (brancos e nulos não são computados), ela entra para a história como a primeira mulher presidente do Brasil.

A candidata eleita contou com a participação do atual Presidente, Lula, em sua campanha e as pesquisas já apontavam sua vantagem sobre o adversário, José Serra (PSDB), que, no segundo turno, contou com 44% dos votos válidos.

No segundo turno, no entanto, a abstenção de votos foi maior: 21,47% dos eleitores deixaram de votar, maior índice registrado desde 1989, quando o Brasil voltou a eleger seu governante de forma direta, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em seu primeiro discurso como presidente, Dilma reforçou as promessas que fez durante a campanha e mais: “Registro aqui outro compromisso com meu país. Valorizar a democracia em toda sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais, básicos, da alimentação, do emprego, da renda, da moradia digna e da paz social.”
 

 
A equipe SinergiaK parabeniza Dilma Rouseff pela vitória e deseja que ela cumpra seu mandato da melhor maneira possível, visando sempre o bem do povo e o cumprimento de seus deveres presidenciais e de seus subordinados.

E torce para que ela e seu vice cumpram, principalmente, a promessa feita em seu primeiro discurso como eleita: “trataremos sempre com transparência nossas metas, nossos resultados, nossas dificuldades.

É isso que esperamos: metas, trabalho, resultados e - sim - transparência, decência e honestidade.

Boa sorte.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

POLITIZE-SE em 5 passos


Visando o conceito – que guia o este blog desde o princípio – de que a população deve se interessar por política sim e, principalmente, participar dela, lançamos a série ‘Politize-se em 5 passos’, na qual cada integrante do blog dará 5 dicas práticas para melhorar seu caminho rumo ao exercício máximo da cidadania.

As eleições terminaram, mas lembrem-se que política se faz no dia a dia – todos os dias – e não devemos nunca nos esquecer da importância da nossa atitude, que pode sim fazer grandes diferenças. Não devemos, nunca, abrir mão do nosso direito incontestável de opinar, votar e cobrar.

Abaixo, as primeiras 5 dicas:

1 – Acesse o site Voto Consciente – A ONG Voto Consciente surgiu em 1987 com o objetivo claro e simples de fortalecer a democracia e levar informações aos eleitores para que pudessem selecionar melhor seus representantes e, após as eleições, participar das políticas publicas com ações de controle social (mesmo objetivo do blog SinergiaK). Aproveite e descubra se sua cidade tem um núcleo do Voto Consciente - eles fiscalizam, principalmente, a Câmara Municipal e o trabalho dos vereadores que, por sua vez, devem fiscalizar o trabalho (e as contas) do Poder Executivo. Através do trabalho da ONG, que participa de todas as sessões da Câmara da cidade por ela fiscalizada, é possível saber quais projetos foram votados e aprovados, que vereador votou a favor ou contra, etc.

2 - Descubra os dias e os horários das sessões ordinárias da Câmara Municipal da sua cidade - E participe. Normalmente, são três vezes ao mês e não são sessões demoradas. Nelas, os vereadores votam projetos de leis, apresentam propostas, discutem verbas e planejamento, cobram providências e expõe necessidades. É de absoluto interesse público. Muitas vezes, principalmente em cidades pequenas, situação e oposição fazem um jogo de interesses. Às vezes, os vereadores da situação votam contra um projeto interessante, por ter surgido da oposição - e vice-versa - e a presença da população faz uma enorme diferença, porque impõe medo - de perder nas próximas eleições, por exemplo. Vá, participe, procure entender. Não é tão chato quanto parece e é infinitamente mais importante do que imaginamos.

3 – Cadastre-se no site Cidade Democrática – O site é o próprio Twitter da política: você segue o que for de seu interesse, a partir de tags (que podem ser sua cidade, as vizinhas, o estado... Ou temas: segurança, educação, saúde...), sugere propostas e aponta problemas, além de fazer comentários e se tornar amigo de pessoas com as mesmas visões – e, o melhor: sem o limite de 140 caracteres. Você pode se cadastrar como cidadão, ONG ou pessoa pública. Não há limites de propostas/problemas e você recebe e-mails com o resumo do seu observatório (tags que você escolheu ‘seguir’) para que não perca nada. Através desde site, é possível ter boas ideias, mobilizar e conhecer mais pessoas politizadas. Porém, sua maior vantagem é ser um meio fácil de mostrar para as autoridades o que a população necessita ou deseja.


4 - Leia - sim, o caderno de política, o jornal da sua cidade, grandes sites, artigos, o SinergiaK, os tweets dos políticos e das empresas de comunicação. Procure antenar-se sobre o que vem sendo discutido, quais investimentos foram ou vão ser feitos, notar onde estão os maiores problemas. Tente ouvir pessoas, vizinhos - é assim que surgem as boas idéias - e fique por dentro. O que quer que seja decidido - pelo(a) presidente, senadores, deputados, vereadores, governadores ou prefeitos - vai acabar atingindo você e é importante que você fique atento. Saber é poder e só a informação lhe dará armas para lutar!

5 – Pense global, aja local – Se o Brasil está com problemas, por exemplo, de poluição – muitos carros, lixo - congestionamento, zoonoses,... Por que não seguir a filosofia SWU (Começa com você!) e mobilizar vizinhos para que todos eles reutilizem matérias que podem ser reciclados, oferecer carona para o trabalho ou faculdade (e garantir um carro a menos nas ruas), adotar um vira-lata e vaciná-lo? Cada atitude nossa, qualquer uma, que influencie a sociedade pode ser considerada política – e cada uma delas faz, no final, uma enorme diferença, mesmo que elas aconteçam apenas na nossa própria rua ou quarteirão. Qualquer coisa que ajude a cidade a oferecer uma qualidade de vida melhor para seus moradores é válida.

Politize-se!

Campanha


Campanha da ONG Voto Consciente, que tem o mesmo objetivo do SinergiaK : politizar o povo e fortalecer a democracia.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

OSPB e EMC




Em 1962, pouco antes do regime militar, colégios brasileiros sofreram alterações em suas grades curriculares e os estudantes que cursavam a 4ª série do ginásio, que hoje corresponderia ao 9º ano (8ª série), passaram a ter aulas de Organização Política e Social do Brasil (OSPB). A disciplina, proposta pelo Conselho Federal de Educação (CFE) e idealizada pelo educador Anísio Teixeira, visava superar uma falha na educação, que não atentava aos valores cívicos nem preparava os jovens para exercerem suas obrigações como cidadãos, e suprir as exigências da Lei de Diretrizes e Bases para a Educação (LDB), de 1961, segundo a qual os alunos deveriam ter, além das disciplinas convencionais, as obrigatórias complementares (OSPB, línguas estrangeiras, desenho) e as optativas (música, artes industriais, técnicas comerciais, técnicas agrícolas).

Depois, já durante a ditadura, foi instituída a disciplina Educação Moral e Cívica (EMC). A matéria, obrigatória a partir de 1969 em todos os sistemas de ensino do país para alunos da 2ª série do ginásio (6ª série ou 7º ano atuais), visava doutrinar ideologicamente as crianças de acordo com os interesses dos ditadores, que disfarçavam essa intenção utilizando o mesmo discurso de OSPB a respeito da necessidade de se fortalecer a unidade nacional e o sentimento patriótico. “Era uma forma dos governos militares doutrinarem e ensinarem história política, mais ou menos como os governos nazista e fascista faziam na Alemanha de Hitler e na Itália de Mussolini, sem esquecer a Espanha de Franco...”, conta Renato Violardi, 40, administrador de empresas e vice-presidente do diretório do PSB em Cabreúva.

O ensino do exercício cívico e patriótico dos militares não se limitava às salas de aula: todos os artifícios eram válidos para influenciar os brasileiros, jovens ou não. Na imprensa escrita e falada, por exemplo, eram disseminadas propagandas que enalteciam a potência industrial do Brasil e alertavam a população quanto ao seu dever de contribuir com o desenvolvimento da nação – a Rede Globo, por exemplo, exibia nas manhãs de domingo o programa do ex-militar Amaral Neto, que mostrava as belezas do Brasil, como o rio Amazonas, exalando patriotismo. Essa contribuição abrangia desde participar de desfiles e cumprir as determinações do governo até denunciar pessoas envolvidas em atividades questionáveis e respeitar as autoridades militares. Nas escolas, era obrigatório o hasteamento da bandeira do Brasil às segundas-feiras e seu arriamento às sextas-feiras, no pátio, onde o hino era entoado. Hastear a bandeira era considerado uma honra e só os melhores alunos tinham esse privilégio.

No entanto, apesar da doutrina ditatorial imposta através de OSPB e EMC, as aulas contribuíram com a conscientização e politização dos brasileiros, despertando neles o interesse em participar da vida pública. “Tive essas aulas e, acredite, ajudou muitas pessoas a se politizarem. Para o bem ou para o mal, mas ajudou”, conta Renato.

O Brasil, depois de tanto lutar pelo fim da ditadura e pela redemocratização, sofre de um mal estranhamente contraditório: o desinteresse político. Em relação a 2006 houve uma queda de 7% entre os eleitores de 16 e 17 anos, que não são constitucionalmente obrigados a votar. Muitos não querem tirar seus títulos de eleitor e afirmam não gostar de política. Talvez a solução para esse problema, que faz com que maus políticos sejam eleitos, seja adaptar o estudo das ciências políticas da grade de 1969 para os dias atuais e retirar dessas aulas a parcialidade.

“Acredito que o estudo político, tenha o nome que tiver, deveria fazer parte do aprendizado do que é ser cidadão. Quando não se investe em conhecimento e educação, criamos uma ditadura que domina a informação e a formação intelectual. Sem conhecimento e formação de opiniões, cerceamos a formação da dúvida, que é o grande trunfo da democracia.”, explica Renato. “No entanto, dependendo de quem está no poder, o ensino será sempre diferente. O governo atual, por exemplo, satanizaria a política anterior e evidenciaria a política atual. O ensino político exige seriedade, mas quem está no poder sempre se beneficiaria”, lamenta.

O Senador Acir Gurgacz (PDT-RO) defendeu no Plenário, em meados de 2010, a volta de OSPB às grades curriculares: “eles estão mais preparados para atuar dentro de nossa sociedade organizada e mais aptos a interceder na coletividade com uma postura mais crítica e consciente”, disse, referindo-se aos alunos do Colégio Diocesano Seridoense, localizado no Rio Grande do Norte, que ainda têm aulas de OSPB e EMC.

Felipe Neto, jovem famoso por seus vídeos satíricos e críticos, opina em uma das suas filmagens, sobre políticos, da série Não Faz Sentido: “Se você tivesse matérias na escola que incentivassem a realmente pesquisar sobre o assunto, talvez tivessem muitos jovens por aí defendendo valores, fazendo revoltas”. Ele diz, inclusive, que os cidadãos só se tornaram completamente alheios à política porque, durante anos, foram condicionados a isso.

“Somente a educação muda o Brasil”, sentencia Felipe. “Então larga o Ipod por quinze minutos do seu dia e vai estudar um pouco, vai buscar saber o que é a Constituição Brasileira, o que é democracia... E quem sabe se a gente criar uma conscientização de revolta geral a gente talvez consiga mudar isso daqui a uma ou duas gerações”, recomenda enfaticamente, cobrindo seus espectadores de palavrões.

É claro que, para essas aulas voltarem às grades curriculares, seria absolutamente necessário reformulá-las, reformatá-las, de maneira que não se prendessem às ideologias dos que estiverem no poder e, no entanto, educassem, pois sua verdadeira missão, no nosso regime democrático, deverá ser a formação de cidadãos que olham o mundo pensando nele - pois educação é o caminho rumo ao destino digno que os brasileiros obviamente merecem.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Jovem sim, senhor



A reunião foi marcada: sábado à noite. Na sala, a anfitriã – que reuniu os amigos para comemorar seu aniversário de dezoito anos – estava cercada por sete jovens, entre dezessete e vinte e dois anos. No meio de tanta conversa, eis que surge a pergunta clichê: “em quem vocês vão votar?” e começa o debate, que se prolongou até a indispensável hora do ‘Parabéns pra você’.

Quatro deles assumiram seus postos ao lado de Marina Silva, a candidata do Partido Verde (PV) que, além de seguir as diretrizes pró-sustentabilidade (moda entre a juventude), ainda se tornou a escolha perfeita para os que não aprovam os métodos de governo do PT e do PSDB, como a aniversariante, que assumiu seu voto para a candidata verde, ainda a terceira colocada nas pesquisas eleitorais, mas deixou claro que só tomou essa decisão por se tratar do que ela chamou de ‘última opção’: “Não voto nem no Serra, nem na Dilma!”.

Dos três restantes, dividindo o mesmo sofá, ironicamente à esquerda encontrava-se um verdadeiro tucano, que é estudante de Economia – mesma graduação de José Serra, do PSDB - com dados, estatísticas e muitos argumentos. À direita uma estudante que queria votar na Marina, mas que mudou o voto porque o pai dela foi demitido da empresa em que trabalhava por ela haver sido privatizada. “O PSDB quer privatizar tudo, quer tirar o emprego das pessoas”, disse a garota. E completa: “Vocês não sabem como é ruim ver seu pai ser demitido! Vou votar na Dilma pra não ter segundo turno e não dar chance pro Serra!” No meio dos dois mais polêmicos convidados, uma estudante de Jornalismo, que fez o papel de mediadora, tentando acalmar as partes, explicar as colocações e fazer perguntas, sem deixar exposta a própria opinião.

Dizem que os jovens não se interessam por política, mas parece que essa situação está mudando. Corre, nas veias da juventude, a vontade e a coragem de mudar o mundo e fazer acontecer. E de uns meses pra cá, com a corrida presidencial, isso ficou ainda mais claro.

Este foi o primeiro ano em que os candidatos fizeram uso da internet - poderosa disseminadora de ideias - e das comunicativas redes sociais em prol de suas campanhas. E pela primeira vez, jovens se engajaram abertamente em seus perfis do Twitter, Orkut e Facebook para divulgar seus candidatos e, acima de tudo, a proposta de se envolver com política e, através dela, conquistar um mundo melhor.

Com a Constituição Federal de 1988, jovens a partir de dezesseis anos ganharam o direito que antes pertencia somente aos ‘adultos’: escolher, através do voto, o futuro do país e o seu próprio.

Essa mudança constitucional buscava aplacar o que, na época, era um problema em potencial: o desinteresse político.

Hoje, em relação à 2006, há cerca de 7% menos eleitores com 16 e 17 anos, no entanto, política é assunto presente nas escolas, faculdades, lanchonetes, blogs, twitters...

"Eu não vou votar, não tirei título, mas se fosse ia votar na Marina, não só porque ela quer ajudar o meio ambiente, mas porque ela parece ser mais honesta", declarou o estudante de Técnico em Meio Ambiente, Getúlio Spina de 16 anos.

As pessoas estão começando a se envolver, se interessar. Aos pouquinhos, devagar, mas o que importa é a caminhada em si e não a velocidade dos passos.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Movimento Voto Nulo

Verdade ou mentira?

Um movimento curioso surge no período eleitoral. Chamado ‘Movimento Voto Nulo’, busca convencer a população a protestar. Usam o argumento de que sendo nulos a maioria dos votos, a eleição é anulada e novo pleito tem que ser organizado, com candidatos diferentes.

O site intitulado "Movimento Voto Nulo" prega a ida às unas com o "voto consciente", como forma de não eleger políticos que consideram corruptos. Na página, diz que "as pesquisas estão polarizadas em cima de dois candidatos", e compara o eleitor a um "gado marcado", por ser, segundo o texto, "conduzido à urna" e "por não ter o direito de escolha".
A principal linha de raciocínio dos responsáveis pelo movimento não é errada: num regime democrático, como no Brasil, deve prevalecer a vontade da maioria do povo. Assim sendo, se a maioria anulasse o voto, nada mais correto do que anular, consequentemente, a eleição toda.

No entanto, a lei eleitoral prevê, em seu artigo 220, que uma eleição só pode ser invalidada quando fugir dos padrões legais, ou seja, feita perante mesa não nomeada pelo juiz eleitoral, realizada em datas e horários diferentes, ou houver qualquer tipo de infração por meio dos candidatos.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vence a eleição o candidato que obtiver maioria (50% mais um) dos votos válidos, que são os votos nominais aos candidatos e os votos nas legendas, nas eleições para deputados estaduais e federais. Os votos nulos e brancos não são considerados nessa soma.

Votar nulo ou em branco é abster-se do direito de escolher um dos candidatos. É uma opção, válida e legal, dos eleitores. Não é tratado, por lei, como protesto ou descontentamento e são, automaticamente, considerados inválidos. Dessa forma, se houverem 90% dos votos nulos e brancos e 10% válidos, o candidato que receber a maioria desses 10%, será eleito.


Ao ser questionado sobre a alternativa do voto nulo, o ministro Marco Aurélio Mello, ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, observou que essa não é a melhor forma de protesto. "O melhor protesto é deixar de votar naqueles que tenham cometido algum desvio de conduta”, afirma. E completa: "Anulando o voto adotamos a prática da avestruz, ou seja, enterrar a cabeça e deixar o vendaval passar. Creio que, diante de uma crise, se escolhermos essa prática, não estaremos atuando com sabedoria."