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quarta-feira, 23 de março de 2011

Superfaturaram a Copa do Mundo!


A Copa do Mundo esta cada vez mais perto, mas os estádios brasileiros mal saíram do papel. Licitações em atraso, orçamentos mal explicados e extrapolando os limites de um país, cuja população sofre com o descaso do governo.

Das doze sedes escolhidas para a copa, até o momento, sete sedes tocam os projetos das arenas quase sem problemas: Belo Horizonte, Cuiabá, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador e Rio de Janeiro, esta última com muitos entraves em relação ao preço da obra, orçada em mais de R$ 1 bilhão, sendo que o Maracanã é um estádio pronto. Como comparação, o Engenhão, construído do zero, custou R$ 380 milhões. Agora a pergunta: como pode um estádio novo custar R$ 380 milhões e uma reforma R$ 1,1 bilhão?

Segue abaixo o valor de alguns estádios da copa no Brasil e eventos anteriores.


Estádio Mané Garrincha. Copa do mundo de 2014. Brasil. Orçamento da reforma em R$ 600 milhões. Caso Brasília tenha a abertura da Copa, o valor vai para R$ 1,1 bilhão.

Maracanã. Copa do mundo de 2014. Brasil. Orçamento da reforma R$ 705 milhões. Atualmente: R$ 1,1 bilhão.

 Engenhão. Pan-americano Rio 2007. Brasil. Orçado em R$ 60 milhões. Custo (construção) R$ 380 milhões.

 Estádio Olímpico de Pequim (ninho do pássaro). Olimpíadas da China 2008. Custo (novo): R$ 800 milhões.

Soccer City. Copa do mundo de 2010. África do Sul. Custo da reforma: R$ 678 milhões.

Estádio Olímpico de Londres. Olimpíadas 2012. Inglaterra. Custo total (construção) R$ 1 bilhão.
Estádio Olímpico de Berlim. Copa do mundo de 2006. Alemanha. Custo da reforma: R$ 450 milhões.

A efeito de comparação:

R$ 1,1 bilhões do orçamento do Maracanã são mais do os R$ 875 milhões que o governo liberou para as vítimas das enchentes na região serrana do Rio.

R$ 1,1 bilhão equivale a 75% do orçamento do ministério dos esportes no ano de 2010.

Com R$ 1,1 bilhão, o governo poderia construir 85 hospitais de ponta no valor de R$13 milhões cada. 22 mil casas populares no valor de R$ 50 mil cada. Compraria 14.665,200 milhões de cestas básicas no valor de R$ 75 cada.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Tirania no futebol


Com as manifestações e a crise no norte da África e Oriente Médio se alastrando, com violência nas ruas e tentativas dos rebeldes de conter a tirania dos governos, a população busca a liberdade e redenção por um país melhor. Engana-se quem pensa que no Brasil não existe isso. Até no futebol existe.

A FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado), instituição que dirige o futebol, paixão mundial, tem 208 associados, mais que a ONU (Organização das Nações Unidas) e o COI (Comitê Olímpico Internacional) ambos com 192 membros.

Desde a criação em 1904, já teve oito presidentes, sendo que Jules Rimet governou por 33 anos (1921 – 1954), João Havelange por 24 anos (1974 – 1998), Stanley Rous por 13 (1961 – 1974) Daniel Burley Woolfall por 12 (1906 – 1918), e Joseph Blatter, atual presidente, esta no cargo desde 1998.

No Brasil, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) é a entidade que controla o esporte. Desde sua criação, em 1919, passaram pela presidência 19 pessoas, tendo João Havelange governado por 17 anos (1958 – 1975). E Ricardo Teixeira (foto), que esta mandando desde 1989 no cargo. Mera coincidência?

A modalidade mais popular dos brasileiros é reinado desde 1989 por um homem que impõe as suas vontades. Todas as decisões do futebol brasileiro passam por ele. Não importa se outra pessoa tem uma teoria melhor. Tomou uma decisão, está tomada. Quase nada é questionado, a não ser de um ou outro jornalista desobediente, que denúncia suas decisões. Não importa se o que decide tem, ou não, base técnica. Tomou uma decisão, está tomada.

Assim como fazem alguns governos do Oriente Médio, a CBF convive cercada de acusações. O “governo” de Ricardo Teixeira tem enfrentado diversas denúncias, como compra de votos quando da eleição do Clube dos 13, oferecendo dinheiro para os times opositores, cargos a parentes e amigos, uso do dinheiro da entidade para consumo próprio, sendo inclusive investigado. Prestou depoimento na “CPI do futebol” em 2000 por causa de um contrato com a Nike, saindo livre do inquérito.

Para o estudioso de futebol Antonio dos Santos, existem muitas pessoas envolvidas por trás dos escândalos. “Têm muita gente por trás disso: Globo, Nike, políticos. Por isso que sempre acaba em pizza, porque nunca vai sobrar para somente uma pessoa, e sim para várias”, afirma Antonio.

Atualmente, uma discordância entre os clubes assola o futebol brasileiro, confrontando grandes equipes em busca de mais dinheiro e poder, sendo todos observados pela CBF.

Para o estudante de jornalismo Leandro Bidola, quem perde com essa briga são os torcedores e os amantes do futebol. “Os clubes deveriam se unir, criar sua própria liga, assim como o NBB (Novo Basquete Brasil) e parar de depender da CBF. Eles não sabem o poder que tem em mãos, porque se continuar assim todos saíram perdendo. O cada um por si nunca deu certo em nada da vida.”, afirmou Bidola.

O futebol brasileiro tem muitas semelhanças com as manifestações que estão acontecendo no Oriente Médio. Com toda a discussão e política envolvida, nossas noites de quarta-feira podem nunca mais serem a mesma, e nossos domingos serão um pouco mais tristes. Quem perde somos nós, torcedores, que poderemos ficar sem assistir jogos e curtir o esporte que amamos.