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terça-feira, 26 de julho de 2011

Meu filho, você não merece nada!

A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada.

Por ELIANE BRUM

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Superfaturaram a Copa do Mundo!


A Copa do Mundo esta cada vez mais perto, mas os estádios brasileiros mal saíram do papel. Licitações em atraso, orçamentos mal explicados e extrapolando os limites de um país, cuja população sofre com o descaso do governo.

Das doze sedes escolhidas para a copa, até o momento, sete sedes tocam os projetos das arenas quase sem problemas: Belo Horizonte, Cuiabá, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador e Rio de Janeiro, esta última com muitos entraves em relação ao preço da obra, orçada em mais de R$ 1 bilhão, sendo que o Maracanã é um estádio pronto. Como comparação, o Engenhão, construído do zero, custou R$ 380 milhões. Agora a pergunta: como pode um estádio novo custar R$ 380 milhões e uma reforma R$ 1,1 bilhão?

Segue abaixo o valor de alguns estádios da copa no Brasil e eventos anteriores.


Estádio Mané Garrincha. Copa do mundo de 2014. Brasil. Orçamento da reforma em R$ 600 milhões. Caso Brasília tenha a abertura da Copa, o valor vai para R$ 1,1 bilhão.

Maracanã. Copa do mundo de 2014. Brasil. Orçamento da reforma R$ 705 milhões. Atualmente: R$ 1,1 bilhão.

 Engenhão. Pan-americano Rio 2007. Brasil. Orçado em R$ 60 milhões. Custo (construção) R$ 380 milhões.

 Estádio Olímpico de Pequim (ninho do pássaro). Olimpíadas da China 2008. Custo (novo): R$ 800 milhões.

Soccer City. Copa do mundo de 2010. África do Sul. Custo da reforma: R$ 678 milhões.

Estádio Olímpico de Londres. Olimpíadas 2012. Inglaterra. Custo total (construção) R$ 1 bilhão.
Estádio Olímpico de Berlim. Copa do mundo de 2006. Alemanha. Custo da reforma: R$ 450 milhões.

A efeito de comparação:

R$ 1,1 bilhões do orçamento do Maracanã são mais do os R$ 875 milhões que o governo liberou para as vítimas das enchentes na região serrana do Rio.

R$ 1,1 bilhão equivale a 75% do orçamento do ministério dos esportes no ano de 2010.

Com R$ 1,1 bilhão, o governo poderia construir 85 hospitais de ponta no valor de R$13 milhões cada. 22 mil casas populares no valor de R$ 50 mil cada. Compraria 14.665,200 milhões de cestas básicas no valor de R$ 75 cada.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Tirania no futebol


Com as manifestações e a crise no norte da África e Oriente Médio se alastrando, com violência nas ruas e tentativas dos rebeldes de conter a tirania dos governos, a população busca a liberdade e redenção por um país melhor. Engana-se quem pensa que no Brasil não existe isso. Até no futebol existe.

A FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado), instituição que dirige o futebol, paixão mundial, tem 208 associados, mais que a ONU (Organização das Nações Unidas) e o COI (Comitê Olímpico Internacional) ambos com 192 membros.

Desde a criação em 1904, já teve oito presidentes, sendo que Jules Rimet governou por 33 anos (1921 – 1954), João Havelange por 24 anos (1974 – 1998), Stanley Rous por 13 (1961 – 1974) Daniel Burley Woolfall por 12 (1906 – 1918), e Joseph Blatter, atual presidente, esta no cargo desde 1998.

No Brasil, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) é a entidade que controla o esporte. Desde sua criação, em 1919, passaram pela presidência 19 pessoas, tendo João Havelange governado por 17 anos (1958 – 1975). E Ricardo Teixeira (foto), que esta mandando desde 1989 no cargo. Mera coincidência?

A modalidade mais popular dos brasileiros é reinado desde 1989 por um homem que impõe as suas vontades. Todas as decisões do futebol brasileiro passam por ele. Não importa se outra pessoa tem uma teoria melhor. Tomou uma decisão, está tomada. Quase nada é questionado, a não ser de um ou outro jornalista desobediente, que denúncia suas decisões. Não importa se o que decide tem, ou não, base técnica. Tomou uma decisão, está tomada.

Assim como fazem alguns governos do Oriente Médio, a CBF convive cercada de acusações. O “governo” de Ricardo Teixeira tem enfrentado diversas denúncias, como compra de votos quando da eleição do Clube dos 13, oferecendo dinheiro para os times opositores, cargos a parentes e amigos, uso do dinheiro da entidade para consumo próprio, sendo inclusive investigado. Prestou depoimento na “CPI do futebol” em 2000 por causa de um contrato com a Nike, saindo livre do inquérito.

Para o estudioso de futebol Antonio dos Santos, existem muitas pessoas envolvidas por trás dos escândalos. “Têm muita gente por trás disso: Globo, Nike, políticos. Por isso que sempre acaba em pizza, porque nunca vai sobrar para somente uma pessoa, e sim para várias”, afirma Antonio.

Atualmente, uma discordância entre os clubes assola o futebol brasileiro, confrontando grandes equipes em busca de mais dinheiro e poder, sendo todos observados pela CBF.

Para o estudante de jornalismo Leandro Bidola, quem perde com essa briga são os torcedores e os amantes do futebol. “Os clubes deveriam se unir, criar sua própria liga, assim como o NBB (Novo Basquete Brasil) e parar de depender da CBF. Eles não sabem o poder que tem em mãos, porque se continuar assim todos saíram perdendo. O cada um por si nunca deu certo em nada da vida.”, afirmou Bidola.

O futebol brasileiro tem muitas semelhanças com as manifestações que estão acontecendo no Oriente Médio. Com toda a discussão e política envolvida, nossas noites de quarta-feira podem nunca mais serem a mesma, e nossos domingos serão um pouco mais tristes. Quem perde somos nós, torcedores, que poderemos ficar sem assistir jogos e curtir o esporte que amamos.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Meias verdades

Não basta saber. Na política, é necessário entender o que está acontecendo. Políticos mal intencionados podem, com algumas palavras, distorcer a realidade em seu benefício e fazer-nos acreditar no que dizem. Algumas vezes, principalmente em época de campanha, isso acontece e cabe a nós estarmos preparados para não sermos enganados.

O texto abaixo foi escrito por Reinaldo Azevedo, colunista da Veja, e mostra como um discurso, se não for acompanhado por uma pesquisa e um imenso interesse, pode confundir o eleitor, fazendo-o acreditar numa meia verdade.

O discurso de Dilma, a tungada os números da educação
Por Reinaldo Azevedo

Ai, ai… Vamos lá. Se não eu e mais uns dois ou três, então quem, né? Não, eu não me incomodo de ser um dos súditos chatos da rainha. “Você é bobo da corte”, diz um petrralha. Tudo bem! O bobo era o único que tinha licença para dizer certas coisas ao rei, né? De vez em quando o soberano se chateava e mandava açoitá-lo. Como Dona Dilma Primeira não pode fazer isso ainda…

A íntegra do pronunciamento dela está aqui aqui. Não foge àquela linguagem grandiloqüente típica dos auto-elogios de governos. De relevante, já notei no post anterior, há o seqüestro de uma proposta do programa de governo do tucano José Serra. Não é a primeira vez.

Durante a campanha, o PT tentou investir na confusão, afirmando que Serra estaria querendo acabar com o ProUni, substituindo-o pelo Protec. Era, obviamente, uma mentira. Mas o PT não tem problema com isso: 31 anos de experiência! Dilma também tungou o tal Plano de Prevenção de Catástrofes. Quando seu adversário tocou no assunto, ela respondeu que o PAC 2 daria conta de tudo. Aí veio a “Tragédia das Pedras”, como diria aquela vidente…

Demonstrando que a loba pode mudar de marketing, mas não de vício, Dilma referiu-se  negativamente à progressão continuada, o que foi entendido como uma referência a São Paulo. É mesmo? Leiam:
“É hora de investir ainda mais na formação e remuneração de professores, de ampliar o número de creches e pré-escolas em todo o país, de criar condições de estudo e permanência na escola para superar a evasão e a repetência e muito especialmente acabar com essa trágica ilusão de ver aluno passar de ano sem aprender quase nada.”

Eu sou contra o método, já escrevi umas 500 vezes. Os motivos são muitos, mas não vou me estender neste texto a respeito. Só que quem introduziu a prática no Brasil foi o mitológico Paulo Freire, petista, quando secretário de Educação da cidade de São Paulo. Os petistas levaram o modelo para Belo Horizonte, Porto Alegre, Guarulhos, entre outras cidades. Aloizio Mercadante tentou transformar a questão numa cavalo de batalha. Não deu.

Mas atenção para o mais interessante. Existe um exame que mede o desempenho dos alunos e estabelece metas: Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico (Ideb). Em que posição está São Paulo? Vejam.

SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL:
Nota de São Paulo - 5,5
Nota do Brasil - 4,6
Meta nacional - 4,2
Colocação de São Paulo - 2º lugar; só perde para Minas, que obteve 5,6

Notas anteriores:
2005 - 4,7
2007 - 5,0

SÉRIES FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
Nota de São Paulo - 4,5
Nota do Brasil - 4,0
Meta nacional - 3,7
Colocação de São Paulo - 1º lugar

Notas anteriores
2005 - 4,2
2007 - 4,3

ENSINO MÉDIO
Nota de São Paulo - 3,9
Nota do Brasil - 3,6
Meta nacional - 3,5
Colocação de São Paulo - 3º lugar - perde para PR (4,2) e SC (4,1) e empata com RS

Notas anteriores
2007 - 3,6
2009 - 3,9

Para encerrarEm 2009, o PT administrava cinco estados - Acre, Piauí, Pará, Bahia e Sergipe. Sabem quantos deles conseguiram atingir a meta estabelecida pelo Ideb? Um só: o Acre.
Em matéria de educação, os petistas podem aprender muito com São Paulo… E olhem que eu sou contra a progressão continuada…

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Plano

A cronista Lílian Buzzetto, do blog Mulherices, consegue expressar, com muito humor, alguns dos sentimentos dos brasileiros politizados acerca do trabalho dos deputados e senadores, que têm deixado muito a desejar.

O Plano - Lílian Buzzetto

2011 é impar, né? Isso significa que passaremos um ano sem Copa do mundo, sem Olimpíada, sem 29 de fevereiro e – claro, sem eleição. Eu sei que muita gente esquece a existência dos políticos em anos ímpares, mas, infelizmente, eles continuam lá fazendo...

(se eu usar palavrão no parágrafo de abertura a Karina me mata, né?).

Bem, nossos políticos ainda estão lá fazendo aquilo que eles estão habituados a fazer.

Como eu ainda não estou satisfeita com esses moços e moças do Planalto, pensei, pensei e finalmente: eu tenho um plano, cambada – e o plano é bom. É utópico e não vai ser posto em prática porque as pessoas, inadvertidamente, não me escutam, mas é bom.

Pois bem, acho que, com algumas módicas alterações, conseguiríamos resolver muitos problemas do nosso sistema legislativo – então segue o passo-a-passo do pacote-básico [há um plano avançado, mas comecemos pelo simples]:

1. 513 Deputados e 81 Senadores. Pra quê? Não quero acompanhar só o que faz o meu candidato porque estou sujeita as idéias de jerico, digo leis, provenientes de todos os eleitos. É inviável trabalhar, estudar, namorar, manter unhas e cabelos impecáveis e fiscalizar o que quase 600 criaturas estão fazendo. Para 26 Estados mais o Distrito Federal, algo como 81 deputados [3 para cada] e 54 senadores [2 para cada] estaria de bom tamanho. Mantém a tal da representatividade e é possível, com certo esforço, controlar 128 filhos-de-Deus.

2. Mandato de 4 anos para todo mundo. Esta coisa de 8 anos, ora elege um, ora elege dois, sai metade, sai inteiro, vota na raiz quadrada de 1,8 é muito confusa. Tenho a impressão de que alguns se beneficiam dessa zona para me enganar e estão no cargo há mais 12 anos. É só uma impressão, mas é melhor descomplicar.

3. Deputados e Senadores deveriam ser tratados como funcionários – passíveis de demissão, exoneração, “impeachmação” ou algo que o valha. Cometeu crime: fora; faltou demais, fora; faltou seguidamente, abandono de cargo; é reiteradamente estúpido e incompetente: rua... Para facilitar, haveria uma lista de direitos e deveres que eles receberiam em uma pastinha de papelão no 1º dia de serviço, durante um ciclo de apresentações e dinâmicas chamado Integração [que contaria com longa palestras motivacionais idiotas para ver se algum deles proíbe esta prática estapafúrdia – ao meu ver].

4. Para suprir as vagas abertas pelas demissões, eleição poderia funcionar como concurso público com validade de 4 anos. Mínimo de votos = candidato habilitado. Demitiu um, chama o 129 e assim por diante, demitiu dois, chama o 130 e assim por diante.

5. Senadores e Deputados estão habituados a trabalhar de 3ª-feira a tarde a 5ª de manhã. Deixaríamos assim. Às 2ª feiras (das 8 da manhã às 17 horas), eles participariam do Curso de Formação de Legisladores [ninguém é obrigado a nascer sabendo, mas a gente explica] que contaria com aulas de economia, direito, saúde pública, segurança, ética, educação moral e cívica, etiqueta, moda, datilografia... A manhã de 3ª seria livre para estudo. Quinta à tarde, livre para a preparação de seminários que seriam apresentados às sextas [sim, seminários para desenvolver falar em público sem parecer um operador de telemarketing que leu o dicionário]. Como sou boa, o plano permite eliminação de matérias: quem é formado em direito, elimina legislação, quem é saúde, as de saúde.... NINGUÉM ELIMINA ÉTICA. As disciplinas dariam créditos e um diplominha – com carimbo do MEC e tudo.

6. Benefícios: 10 salários mínimos – sim, o dinheirinho deles estará diretamente ligado ao mínimo; se quiserem ganhar mais, bem... entenderam, né? Com cerca de R$ 5.000 (fora os descontos, claro) dá para viver muito bem. Até porque eles teriam direito a várias regalias como: assistência médica e odontológica (SUS), educação para os filhos (escola pública), carro (Uno Mille ou Gol bolinha - branco, básico, com um enorme logotipo da respectiva casa legislativa), moradia em Brasília (num complexo de apartamentos de 2 quartos + 1 suíte e varanda – L-U-X-O!).

7. Por baixo dos panos, nossos legisladores teriam direito de roubar material de escritório (canetas, clipes e cadernos para os cursinhos) como todo pobre mortal. Que fique claro: eles poderiam roubar material de expediente. Computadores, impressoras, telefones, mesas, cadeiras, cobre da fiação: NÃO SERÃO INCLUSOS nesta autorização extra-oficial.

8. Férias = 30 dias/ano. Não pode tirar todo mundo junto, pode reverter parte em dinheiro e todo aquele blábláblá de acordo com a CLT ou semelhante. Importante: feriados poderiam ser emendados. A folguinha cai na terça? Eles poderiam matar a segunda, mas o seminário da sexta-feira NÃO estaria cancelado.

9. O primeiro semestre, para todos, seria um estágio probatório – no qual eles não poderiam criar novos Projetos de Lei, apenas votar o que está engavetado e atrasado. Neste período, eles estariam estudando muito, aprendendo coisas básicas como “A Constituição Federal – como não fazer a porra de uma lei inconstitucional, sua besta” (podemos reformular o nome deste curso para impressionar no certificado). Reprovou nas aulas: mais seis meses. Não passou na segunda chance? Jubila e demite – sem diplominha. Lembrando que durante esta fase, eles estarão sujeitos a tudo que o estagiário padrão está: sem benefícios, com direito a fazer o próprio café e mexer na máquina de xérox.

A base do plano é essa aí.

Sabemos (eu, pelo menos, sei), por experiência empírica, que nada do que propus mata ou traumatiza de forma irreversível – logo, não teríamos problemas com o povo dos Direitos Humanos. E se vocês decidirem levar algo do plano adiante e precisarem de um projeto com ementa, objetivo e métodos, para aplicar esta joça em caráter de urgência, preparo em 3 dias.

PS: Estou aberta a sugestões para melhoria do plano. Idéias?

O SinergiaK também quer saber sua opinião. Acha o plano de Lílian infalível? Conte pra gente!